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03/11/2016

Fluxo de capital para o Brasil deve crescer e atingir US$ 120 bi em 2017

Autor: Folha de S. Paulo

O fluxo de capital estrangeiro aplicado no Brasil deve continuar crescendo e atingir US$ 120 bilhões em 2017, aumento de 9,1% em relação aos US$ 110 bilhões projetados neste ano, segundo relatório do IIF (Instituto de Finanças Internacionais), divulgado nesta quinta-feira (3).

Segundo o IIF, o Brasil responderá por mais da metade dos US$ 237 bilhões que fluirão para a América Latina no próximo ano, conforme o governo do presidente Michel Temer avança com as reformas fiscais e a economia se recupera da forte recessão em que se encontra.

A aprovação de reformas fiscais e o aumento da coordenação de políticas monetárias e fiscais vão impulsionar a entrada de recursos estrangeiros, que serão alocados principalmente no mercado de ações, afirma o instituto. Já o investimento estrangeiro em renda fixa deve arrefecer, conforme os juros dessas aplicações diminuem acompanhando o processo de queda da taxa de juros Selic realizado pelo Banco Central.

Em reportagem desta quinta (3), a Folha mostra que, com crédito caro na praça e a melhora nas expectativas em relação à economia, as empresas brasileiras aceleram planos de lançar ações.

Há riscos ao cenário previsto, alerta o IIF. Entre eles recuos na consolidação da política fiscal e o aumento da instabilidade financeira global por causa do aumento de juros nos Estados Unidos.

Segundo o instituto, o governo Temer está fazendo um bom progresso nos esforços para implementar um teto para o crescimento dos gastos públicos. A aprovação do teto de gastos e da reforma da Previdência são essenciais para aumentar a confiança, sustentando o afrouxamento da política monetária, melhorando a dinâmica da dívida pública e impulsionando o fluxo de capital não-residente ao Brasil.

EMERGENTES E DESENVOLVIDOS

O relatório do IIF estima que o capital não-residente aumentará nos mercados emergentes gradativamente nos próximos trimestres e somará US$ 769 bilhões em 2017, aumento de 20,2% ante os US$ 640 bilhões registrados neste ano.

Apesar do aumento, haverá saída líquida de recursos no próximo ano por causa da atuação de residentes. O valor estimado é de US$ 206 bilhões, queda de 44,8% em relação aos US$ 373 bilhões projetados neste ano. A China é e continuará sendo a principal fonte de envios de recursos de residentes para o exterior, afirma o instituto.

O maior aumento de fluxo será registrado pelos emergentes asiáticos, com salto de 397,1%, passando de US$ 70 bilhões neste ano para US$ 348 bilhões no próximo. Só China e Índia receberiam, respectivamente, US$ 40 bilhões e US$ 32 bilhões.

As baixas taxas de juros praticadas em países desenvolvidos são apontadas como um dos principais motivos para a volta de estrangeiros aos emergentes. A isso soma-se a atuação mais "pacifista" dos principais bancos centrais do mundo, mais preocupados com desemprego e crescimento do que com efeitos da inflação nas economias no médio e longo prazos.

JUROS E O RISCO TRUMP

Nesse contexto, o aumento de juros nos Estados Unidos previsto para a reunião de dezembro do Federal Reserve (Fed, banco central americano) deve desafiar esse cenário, com parte dos investidores preferindo a solidez de mercados mais desenvolvidos ao risco representado por emergentes.

O IIF projeta um aumento em dezembro e outros dois durante 2017 inteiro, em linha com o Fomc (comitê de política monetária do BC americano).

Um ritmo de alta mais intenso nos juros americanos e uma perda de confiança na capacidade da China de manter sua economia em um caminho estável são alguns dos fatores que podem turvar as projeções, segundo o relatório.

Além disso, crises políticas nos países desenvolvidos e emergentes também podem provocar volatilidade, afirma o IIF. O maior perigo vem da Europa, diz. Além do "brexit", a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia, há eleições gerais em Holanda, França e Alemanha.

Mas o relatório dedica uma página inteira ao "risco Trump", com a possibilidade de o republicano Donald Trump ser eleito presidente dos Estados Unidos sendo vista como potencial risco aos emergentes. O candidato já anunciou a intenção de renegociar acordos comerciais que podem ter impacto direto em volumes exportados aos EUA —só o México tem cerca de 80% de suas exportações direcionadas ao país vizinho.

O instituto, porém, afirma que, independentemente do candidato eleito —Trump disputa o cargo com a democrata Hillary Clinton—, o risco político associado aos EUA vai continuar elevado, pois ambos têm forte rejeição e os partidos terão que enfrentar uma classe média descontente.


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