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07/12/2016

Empresários defendem tarifa zero em acordo comercial entre Brasil e EUA

Autor: FERNANDA PERRIN - Folha de S. Paulo

Entidades representantes do empresariado brasileiro e americano elaboraram uma proposta de acordo para reduzir as tarifas no comércio entre os dois países ao longo de dez anos. A meta é zerá-las até 2030.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) vai apresentar o documento em evento nesta quarta (7) com a presença do ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira.

A Câmara de Comércio americana, que representa o lado dos EUA na proposta, deve divulgá-la nos próximos dias para a equipe de transição que toca a passagem da presidência para Donald Trump.

Os empresários pedem que os governos iniciem as negociações no começo de 2017 –logo após a posse do republicano, cuja campanha eleitoral teve o comércio exterior como um de seus principais alvos.

A CNI, porém, não acredita que seja um momento ruim para pressionar por um acordo.

Assim, o cronograma proposto no acordo é que as negociações comecem em 2017. O horizonte sugerido é o de que, ao longo de dez anos, todas as tarifas impostas às importações de um parceiro e de outro sejam reduzidas gradualmente até zero –o que aconteceria em 2030.

O comércio entre matrizes e subsidiárias seria um dos mais beneficiados pelo acordo, defende a proposta. Essa inserção nas cadeias de valor de grandes indústrias seria um dos principais ganhos para o Brasil com um acordo, diz Bonomo.

Estudo elaborado pela Fundação Getulio Vargas para subsidiar a proposta de acordo estima um aumento de 1,29% do PIB brasileiro em 2030 caso todas as tarifas comerciais com os EUA sejam zeradas, e as barreiras não tarifárias –como normas sanitárias– sejam reduzidas em 40%.

Nesse cenário, as importações feitas pelo Brasil originárias dos EUA cresceriam 7,46%, enquanto as exportações, 6,94% no período.

Bonomo, porém, admite que a proposta é ambiciosa e pode gerar resistência de alguns setores. A competitividade do agronegócio brasileiro, por exemplo, assusta o americano. Por outro lado, há muitas áreas em que as economias se complementam, o que pode facilitar uma atuação conjunta para abrir barreiras em outros países, diz o gerente-executivo.

Além da potencial resistência de setores econômicos e da nova Casa Branca, as negociações para um acordo devem enfrentar também o Mercosul.

Por ser uma união aduaneira, o Brasil só pode negociar reduções tarifárias com outros países em conjunto com os demais membros do bloco sul-americano –uma das razões apontadas para o país ter tão poucas parcerias, diante da dificuldade de avançar em conjunto com os vizinhos.

Assim, os empresários propõem que o Brasil busque em um primeiro momento uma negociação em bloco mas, caso não consiga, que busque caminhos alternativos, como a obtenção de um "waiver" (perdão) dos demais integrantes para negociar sozinho com os EUA.

Os americanos estão entre os maiores parceiros comerciais do Brasil, atrás dos chineses. De janeiro a novembro deste ano, o Brasil exportou US$ 20,9 bilhões para os EUA e importou US$ 21,6 bilhões –12,34% e 17,2% do total exportado e importado pelo Brasil, respectivamente. 


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