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30/03/2017

Após três altas, confiança da indústria indica transição para saída da crise

Autor: Valor Econômico

Em sua terceira alta seguida, a trajetória da confiança da indústria ainda não é suficiente para afirmar que a economia brasileira está saindo da crise, mas seus componentes apontam para um ambiente de transição. A avaliação é de Aloisio Campelo, superintendente de estatísticas públicas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV. Divulgado ontem, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) subiu 2,9 pontos entre fevereiro e março, para 90,7 pontos - o maior nível desde março de 2014.  

"O cenário parece ser de saída [da recessão], mas ainda há muita incerteza. Captamos nas sondagens um ambiente de transição", disse Campelo. Esse quadro é formado por indicadores bastante favoráveis, que sugerem para breve a volta da atividade ao campo positivo, ao mesmo tempo em que outros dados da Sondagem da Indústria de Transformação seguem em nível baixo, ainda compatível períodos de retração do PIB, afirmou.  

Como indício positivo, 81% dos setores pesquisados tiveram melhora da confiança, maior índice de difusão desde 2002, quando o percentual foi de 89%. Saídas de recessão costumam mostrar alta mais disseminada da confiança, destacou o economista. Em setembro de 2009, por exemplo, o ICI cresceu também em 81% dos ramos de atividade.  

Na análise por categoria, só o segmento de bens de capital ficou menos confiante, com retração de 0,9 ponto no ICI, para 89,4 pontos. O indicador aumentou em todas as outras quatro categorias pesquisadas na passagem mensal, com destaque para a de bens intermediários, em que o ICI alcançou 96,6 pontos em março - nível próximo da neutralidade (100 pontos).  

Para Campelo, a expansão mais acentuada nesse setor pode ser explicada pela tendência de substituição de importações observada no ano passado, assim como por alguma elevação das vendas externas.  

Por outro lado, o ambiente para investimentos continua pouco animador, avaliação reforçada pelos dados da sondagem, ponderou Campelo. Enquanto, na média, o Índice de Situação Atual (ISA) que compõe a sondagem aumentou de 86,4 pontos para 88,5 pontos na passagem mensal, o dado do setor de bens de capital diminuiu 3,5 pontos em igual comparação, para 86,5 pontos. "Se falamos em recuperação por investimentos, com esse resultado, por enquanto, ainda não conseguimos retomar."  

O Índice de Expectativas (IE), que compõe a sondagem, também mostrou melhora ao passar de 89,3 pontos para 93,1 pontos. O desempenho mais positivo foi registrado no segmento de bens duráveis, cujo indicador subiu 11,3 pontos em relação a fevereiro, para 104,6 pontos, entrando em terreno de otimismo.   De acordo com Campelo, a alta expressiva no setor tem respaldo e está relacionada ao ciclo de afrouxamento monetário e à liberação de recursos do FGTS, fatores que indicam aos fabricantes aumento futuro da demanda por esses produtos.  

Ainda dentro das expectativas, houve alta nos indicadores de produção (mais 4,6 pontos, para 93,3) e emprego (de 88,1 para 92,3 pontos), comportamento que Campelo avaliou como uma transição da tendência de demissões para neutralidade. Duas categorias já possuem saldo maior de empresas que pretendem contratar mais do que dispensar bens de consumo não duráveis (9,1 pontos) de bens intermediários (0,8 ponto).


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