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19/04/2017

Moody’s diz que demanda fraca deve limitar benefícios de queda das taxas de juros no Brasil

Autor: Agência Estado

A forte queda nas taxas de juros e na inflação no Brasil terá um impacto inicial apenas limitado sobre a economia e os tomadores de crédito do país, afirma a Moody´s Investors Service em relatório. Para a agência, uma melhora substancial só deve acontecer com um "progresso sustentado da demanda".  

A agência destaca que, após três anos de política de aperto monetário, o Banco Central brasileiro agora reduz juros, o que deve continuar a fazer pelo menos até 2018, enquanto a inflação desacelera.  

Atualmente em 11,25%, a taxa Selic pode cair abaixo de 9% no final deste ano, depois de atingir um pico de 14,25% em 2016, reforça o relatório.  

"Taxas referenciais mais baixas não se traduzirão rapidamente em juros menores para consumidores e empresas, no entanto. As taxas de juros no Brasil também incorporam outros fatores tais como risco de crédito no balanço patrimonial dos bancos, impostos e seguro de depósitos. O prazo para que esses fatores sejam ajustados será maior", diz a agência em nota à imprensa.  

"À medida que os juros caem, o processo de melhoria das condições de crédito ocorrerá em duas etapas. Na primeira, haverá um período de desalavancagem que se estenderá por 2018 e limitará os potenciais ganhos com as taxas mais baixas. Esta fase será seguida por um aumento gradual no estoque de crédito, consumo e investimento”, afirma Marianna Waltz, uma diretora-gerente da Moody´s.  

Embora a relação pagamento de juros sobre receita do Brasil vá continuar alta em relação aos pares soberanos, a agência espera que o índice médio se sustente nos níveis pré-crise, de cerca de 20%, em 2017-18, e que o declínio nas taxas também deve apoiar investimentos mais robustos a partir de 2018.

Para a agência, uma melhora substancial na qualidade de crédito dependerá amplamente de recuperação sustentada da demanda. "Uma dinâmica semelhante será observada no setor de infraestrutura; o fraco crescimento da economia brasileira limitará a demanda por serviços prestados por concessionárias e os níveis de tráfego, ofuscando alguns dos benefícios dos juros mais baixos. Em consequência, a Moody´s espera melhora apenas moderada nas métricas de crédito das companhias de infraestrutura em 2017", completa a nota.


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